segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Um lugar para viver















O silêncio de uma noite amena no Monte Kofa, sudoeste do Arizona, Estados Unidos, era novamente cortado por estampidos penetrantes. Com as folhagens das árvores próximas sacudidas pelos tiros, o terror mais uma vez penetrava os ouvidos sensíveis daquela criatura.



Outrora caçadora de subsistência, a onipotente aquila chrysaetos via-se agora encurralada por assassinos frios, que a desejavam apenas como um portentoso troféu empalhado, da mesma forma como já haviam feito com outros de sua família. Ainda que aquele fosse seu habitat, um lugar de paisagens belas, não obstante consideradas hostis pelos invasores, escapava-lhe motivos para ficar. Seu espírito guerreiro e perspicaz não encontrava defesa contra armas de fogo e mentes beligerantes como a daqueles homens e seus cães farejadores. Os pares da linhagem accipitridae já haviam sido dizimados e de sua espécie ela era uma das únicas no Deserto de Sonora.




Voou. Um vôo longo e sem rumo. Não sabia para onde ir, apenas queria fugir, encontrar um lugar para viver. Sentia-se agora como uma de suas presas, perdizes ou pequenos lagartos, que corriam assustados quando viam aquela sombra ágil planando por perto. O mergulho da ave de rapina era uma morte quase certa para qualquer um desses seres. No entanto, experimentava um sensação de fragilidade e medo. Cada quilômetro que se afastava do Monte Catalina era um pouco mais de pânico para suas asas carregarem. Seu porte nobre e magnânimo começava a dar lugar a um semblante de ave comum, e isso a irritou profundamente.




Lembrou-se do que certa vez um camaleão, que fora uma de suas refeições, havia-lhe dito pouco antes de virar almoço: “Você não passa de um pombo rupestre! Queria ver se manteria essa pompa numa cidade como Nova York! Lá você morreria de fome, pois lá as aves comem pipocas dos turistas e você não teria uma única lagartixa para comer!”. De certo foram as últimas palavras do réptil audacioso, mas que feriram fundo a ave de garbosa penugem amarronzada.



“Ora! Comparar-me com um pombo! Uma ave altamente repugnante, primo em sexto grau que vive à mendicância nas metrópoles!”. Aquela pitoresca conversa com o bicho gelado voltou com força em sua mente. Se pássaros tão inferiores se adequaram a tal situação desfavorável, por que não ela conseguiria passar por semelhante mimetismo?



Decidiu que iria voar milhares de quilômetros em direção à Costa do Atlântico e que se estabeleceria exatamente na chamada Capital do Mundo, a Big Apple. Não sabe se seria algo inédito em termos ecológicos. Mas, se os homens invadiam seu território para caçar indiscriminadamente, por que ela não poderia fazer o inverso? O caminho era longo e extenuante, porém, a águia real estava disposta a provar que poderia vencer o desafio e, para isso, teria de utilizar uma característica com a qual monitorava suas vítimas: a paciência. Em alguns trechos ponderou se não seria melhor tentar viver caçando pequenos mamíferos no Texas ou em Oklahoma, mas ela estava obstinada pelos ares do extremo Leste, lugares que só conhecia pelas conversas das gaivotas andarilhas.



Frio e calor intensos não perturbaram a ave solitária tanto quanto o que ela viu. Seu aguçado mecanismo visual passou a enxergar fatos e objetos que antes ela não percebia (ou que ela nem sabia que existiam). Casas, fazendas, estradas, prédios, parques, indústrias, shoppings, fumaça e barulho. Tudo lhe parecia muito estranho, ainda mais quando viu multidões de humanos andando de um lado para o outro, como formigas operárias. Enfurnados em veículos em autovias ou entalados dentro de trens e ônibus, eles fervilhavam no solo; foi nessa hora que a águia agradeceu à natureza por suas asas. “Devem estar felizes”, pensou a águia, não acreditando muito naquilo. “Mas, se vivem bem nesse caos, por que alguns se desgarram e vão nos matar lá nas colinas e desertos?”. Viu letreiros luminosos com as palavras coloridas “Burger king” e alguma coisa “Grill” e encaixou as peças: “então, essas pessoas comem vacas e bois triturados”.



O pensamento a deixou confusa por duas razões: entendeu que sua carne não era tão especial como alimento e, assim sendo, as mortes de seus familiares no Kofa seria mesmo por mero prazer. “Um reles camaleão tem carne mais nobre que a minha na escala de predadores. Ele serve para minha subsistência e eu sirvo apenas para embelezar ambientes. Coisa mais fútil eu sou!”. Antes que uma crise existencial se instalasse definitivamente na cabeça da ave de rapina, e ela acabasse por encontrar algum ponto em comum com os renegados pombos nova-iorquinos, resolveu descansar em algum ponto de Illinois, achando que, pela enorme quantidade de arranha-céus, já houvesse chegado ao seu destino final.


- Uma águia perdida no centro de Chicago! – comentou um pardal com outro de maneira surpresa e brincalhona.




- Aqui não é Nova York? – perguntou a ave, tentando manter o ar majestoso.




Eles riram e, antes de voarem do poste, debocharam:




- Você não sabe nem diferenciar cidades tão distintas e distantes! Não pode ser uma águia... deve ser algum pombo com problemas mentais, hahahaha...




Aquilo foi a humilhação derradeira. Ela disparou para cima das sarcásticas criaturas a fim de tomá-las como refeição, mas estas entraram no buraco de uma construção e escaparam.




- Não vá para Nova York! Desse jeito, lá você vai morrer de inanição! – espezinharam.




Essa declaração só serviu para deixar a águia real ainda mais decidida em sua jornada. Iria não apenas migrar à Grande Maçã como também fixaria residência por lá. Talvez não fosse uma entre tantos, conforme apregoava a cunhagem nas moedas – e pluribus unum –, onde sua imagem aparecia vistosa como o grande símbolo yankee que era, mas certamente algo de novo estava para acontecer em sua vida. Com o tempo, as homenagens seriam rendidas como fatos que se sucediam e, então, sua pequena ação teria efeitos fortíssimos em outras áreas no país, quiçá no mundo. A partir daí, viveria bem e sem muitos esforços para alcançar outras de suas metas. Por enquanto, porém, o que ela estava sentindo mesmo naquele instante era fome. Muita fome.





* * *



Aquela pequena sacola estava mesmo difícil de abrir. Sacudia, sacudia e nada. Já encontrara outras assim, mas normalmente suas garras não demoravam muito para rasgar o lixo. Quando finalmente conseguiu, viu uma sombra agigantando-se e do céu um pássaro se engalfinhou com ele na luta pela comida.




- Ei, o que é isso?? – perguntou o cachorro vira-lata, ainda sem saber bem quem era seu rival.




O pássaro, faminto e sujo, pulava e tentava bicar o que encontrava dentro da sacola.




- Eu que pergunto. Que comida é essa? – disse referindo-se ao que encontrara.
Quando viu se tratar de uma águia real, o cão de rua ficou perplexo.




- Uma águia real em plena Madison Square?




- Sim. Sou uma aquila chrysaetos linnaeus e vim de longe conhecer, com pretensões de morar, em Nova York – disse o pássaro procurando mostrar nobreza no falar.




- Já vi falcões no Central Park, mas não uma águia real. Seu porte é mesmo nobre, mas essa sua penugem empoeirada e esse seu ataque esfomeado à minha sacola lembrou-me mais um desses pombos de marquise.




- Cheguei a pouco tempo e ainda não encontrei nada para comer. Desculpe-me pela falta possível falta de educação – retrucou a ave, torcendo o bico ao ouvir nova comparação com pombos.
O insólito encontro acabou marcando uma amizade entre ambos.




- Qual seu nome, pássaro?




- Samiz. E o seu?




- Não tenho. Mas, algumas pessoas me chamam de Beethoven. Enquanto alguns cachorros ficavam parados em restaurantes finos, esperando sobras da janta, eu preferia nutrir meus ouvidos na Broadway!




- Hum... você é mesmo um cão inteligente e sofisticado, hein? – disse Samiz, lembrando dos agradáveis sons agudos que o vento fazia quando zunia pelas fileiras de cactos no Kofa.




- Apenas leio jornais, livros e revistas rasgados e amassados que as pessoas jogam fora. Não sou nenhum Beagle, Chow Chow, Poodle ou Schnauzer, mas nem por isso fico fora do que acontece no mundo. Enquanto não encontro um lar, sobrevivendo nas calçadas – disse o cachorro com alguma melancolia. – Venha, Samiz, serei seu guia aqui. Vou mostrar-lhe as melhores partes de Nova York sem gastar nada além de penas e patas.




Beethoven sabia que a ave real poderia visitar os pontos turísticos sob vários ângulos justamente por sua condição alada, mas mesmo assim gostou da possibilidade de ser um anfitrião. Samiz admirava aquele mundo novo que se descortinava em sua frente. Conheceu Manhattan, voou e pousou no ponto mais alto do Empire State, deslumbrou-se com a Estátua da Liberdade, deu rasantes pela elegante Fifith Avenue, brincou com o touro de bronze na Wall Street e se impressionou com as luzes de Times Square. Enquanto se deleitava nos endereços que Beethoven sugeria, Samiz percebeu, do alto, que a vida de seu amigo era apenas aparentemente feliz. Num dos rasantes, viu quando um menino, com uma sacola com comida, atirou um objeto na direção do cão, que empinava o focinho, tentando captar algum aroma agradável.




Vendo aquilo, a águia, desceu como um raio e infernizou o garoto que, ao correr assustado como no clássico de Hitchcock, abandonou a sacola no chão.




- Os pássaros estão me atacando! – vociferou, enquanto disparava, despertando olhares curiosos para o pássaro, que agora repousava sobre a haste de uma bandeira americana em uma loja, ajeitando as penas.




Beethoven, apesar de não ter aprovado o ataque, aproveitou para rasgar a embalagem e encontrou dentro, para sua alegria, batatas-fritas em profusão, além de uma embalagem estampando um suculento desenho de chocolate.




Samiz ficou feliz em ver que pelo menos aquele garoto serviu para alguma coisa.




- Sabe, Samiz, o que eu mais queria na minha vida era encontrar um dono. Alguém que gostasse de mim, como acontece com esses cachorros com pedigree. Eles saem, passeiam, andam pelas ruas com bonitas coleiras, voltam para suas casas e não são apedrejados.




- É, mas também não devem comer Hershey’s com avelã em seus lares... – brincou a ave com algum sarcasmo, tentando suavizar a prostração de Beethoven.




- Nossa amizade não deve perdurar muito. Como não tenho um lugar para viver, logo serei recolhido pelo serviço sanitário da cidade e você terá de ir morar na copa das árvores mais altas do Central Park, se quiser garantir uma vida por aqui.




A águia se entristeceu com os dizeres de seu amigo, pois sabia que aquilo significava o que ela também achava, mas tinha medo de admitir.




Andavam já pensando no ocaso da bonita amizade entre uma águia real e um cão, quando Beethoven chamou sua atenção para uma pequena matéria no The New York Times, ainda fechado dentro de um daqueles newspaper dispenser na calçada.




- Olhe, Samiz! “Governo proíbe caça no Deserto de Sonora”.




A ave pousou sobre a máquina e pôs-se a ler, interessadíssima, a matéria que lhe era de total importância. Ao final, ao invés de comentar sobre ela com Beethoven, chamou seu amigo e indicou uma outra, ainda menor, logo ao lado: “Garoto prodígio promove hoje oficina no Ground Zero”.



- Sei quem é essa criança. Seus avós vieram do Brasil e trabalharam no World Trade Center, mas sobreviveram ao atentado quando o garoto ainda tinha dois anos. A família dele foi solidária todo o tempo com as vítimas e, desde então, ele aparece, de vez em quando, no Espaço Zero. Lá, uma escultura provisória foi criada e passou a se chamar Monumento da Paz, alusiva aos acontecimentos com o WTC. Este garoto um menino incrível, pois consegue escrever, desenhar, cantar e ainda compor belas canções, além de conversar e ensinar às pessoas sobre seu método criativo, coisa que faz desde esse trágico incidente. Nenhuma editora ainda se interessou em publicar, pois acham que é um material que não vende, que são coisas de amor e mensagens de perseverança. Preferem algo que contenha violência, como os livros sobre os acontecimentos que vitimaram colegas dos pais de sua mãe. Certamente vale uma visita. Mas, por que isto te criou tanto interesse? – perguntou o cão, realmente curioso.



- Está dito, nas letrinhas menores sob a manchete, que ele está à procura de um cão de rua para ser sua companhia!



- Um cão?! E você acha mesmo que ele iria escolher um vira-lata como eu? Claro que não! E isso é tudo brincadeira sua, águia palhaça. Afinal, como você conseguiria ler essas letras tão minúsculas?? Ainda mais através do vidro!



Não daria para Samiz explicar o quão perfeito era seu mecanismo visual em tão pouco tempo. Ao invés de tentar responder, Samiz pediu apenas que o cão lhe dissesse onde ficava esse monumento conhecido como Esfera.



O cão apontou e Samiz voou na frente:



- Agora sou eu quem será o cicerone. Come with me!



Ao tempo em que corria, Beethoven sentia-se cada vez mais feliz. Samiz era o primeiro ser a se preocupar com ele, a participar com ele de alguma coisa, ainda que fosse um pequeno evento de um desconhecido garoto que ensinava os outros como tocar algum instrumento ou escrever belos poemas.



Ao chegarem perto da artística edificação de Koenig, Beethoven pareceu absolutamente exultante com a canção que vinha por trás da escultura.



- Que música é essa? – perguntou a águia, também estimulada pelo som penetrante e ao mesmo tempo suave.



- Não reconhece? É uma das sonatas do meu xará menos ilustre: Waldstein! – exclamou Beethoven, explicando para Samiz que o nome daquele menino prodígio era H. A. Datson, mas que praticamente todos só o chamavam de Dat.



Chegaram perto de onde vinha o som, uma pequena caixa de cor amarronzada com a palavra Paradiso, e viram um menino de nove anos ora desenhando, ora escrevendo poesias, ora tocando, ora conversando com alguns dos presentes. Seu olhar não era nem um pouco de tristeza, o que podia ser deduzido para quem só soubesse de sua história até o ponto da catástrofe, mas de uma transbordante serenidade e entusiasmo.



As pessoas que leram o jornal ofereceram-no cachorros, Akitas, Collies, Chiuauas, todos muito bonitos e bem nutridos. E a todos ele acariciava e brincava com sinceridade. Mas, quando viu o vira-lata Beethoven ao longe, misturado às pernas dos curiosos, tentando enxergar-lhe com dificuldade, não teve dúvidas: era aquele cão que ele queria ter!



Pediu que todos abrissem passagem para o cachorro que, em princípio, não entendeu que era com ele. Mas, quando viu que não havia mais ninguém atrás de si, tomou um susto. Será mesmo que o menino queria tocá-lo? Queria conhecê-lo? Queria se tornar seu dono?



Beethoven foi andando com receio, olhando as pessoas a sua volta, pessoas que antes eram sérias e, agora, afagavam sua cabeça e mexiam com seu focinho. Ao chegar próximo, recebeu um repentino, agradável e honesto abraço do menino, que fechou os olhos ao envolvê-lo. Beethoven sentiu algo que nunca sentira antes, um carinho especial que lhe trouxe profunda felicidade e, então, retribuiu-lhe com uma lambida no rosto.



- Qual será o nome dele?



- Ele já possui nome desde sempre: Beethoven.



O cão levou um susto: “como ele sabe meu nome?!”. Mas, lembrou-se que aquele era mesmo um menino especial e que provavelmente já havia depreendido, de alguma forma, que seu nome só poderia estar relacionado com esse mestre da música clássica.



- E o que é Paradiso? – quis saber mais um curioso, ao notar o nome na caixa de som.



- Meu apelido. Desde que meus avós se foram, algumas pessoas que também tiveram parentes atingidos pela tragédia, vêm visitar a minha oficina e se alegram. Como se esse pequeno espaço a céu aberto, fosse algum paraíso para elas. E também para mim.



Dat, que já havia inclusive arrumado uma coleira para o seu novo companheiro naquela tarde, levantou-se e paramentou o cão com o acessório. Beethoven mesclava felicidade e incredulidade, pois sempre apreciou o menino e sua oficina sazonal, mas nunca imaginou que pudesse tê-lo como dono um dia.



O garoto abriu passagem entre as pessoas que ali estavam sob aplausos destas para o cão escolhido. Beethoven estava mesmo impressionado com os elogios que agora lhe eram dirigido que nem se lembrou de Samiz. A ave, pousada sobre a Esfera de Koenig, acompanhava com satisfação o desenrolar do episódio. Seu amigo encontrara um companheiro e ela considerou ser melhor não romper aquele laço harmônico entre ambos.



Viu que seu jeito havia mudado com Beethoven e toda aquela saga. Adquiriu uma humildade que até então achou que possuísse; viveu momentos alegres com um cachorro vira-lata e, agora, mesmo os basset hounds farejadores do Kofa não lhe pareciam tão ameaçadores. Aquela aventura havia sido mesmo muito boa, gostara enormemente de Nova York, mas era hora de voltar. Lembrou-se da notícia sobre Sonora, de que não haveria mais caça na região, e resolveu que iria partir. Deu um último giro pela ilha de Manhattan, observando pela última vez seu amigo canino e, com a saudade já apertando seu coraçãozinho, seguiu, ainda naquela noite, rumo ao seu habitat natural no oeste do país.



Quando Beethoven lembrou-se do amigo alado, preocupou-se. Não o vira desde que estivera em estado de transe com a oficina e a sua eleição com Dat. Começou a olhar para todos os lados, para o topo dos edifícios, mas já era praticamente noite e, como não tinha a mesma eficaz visão da águia, só o que enxergava era a iluminação da Rockefeller Park. Dat, percebeu o agito do cão e parou o passeio para observá-lo. A criança era detentora de uma sensibilidade nata na compreensão de animais.



- Conte-me o que está te afligindo, Beethoven.



O cachorro impressionou-se com Dat. Parecia realmente esperar que ele o respondesse. Beethoven viu nos olhos do garoto o mesmo brilho flamejante que existia nos de Samiz, uma vivacidade que lembrava o de seus pais, cães que enfrentaram muitas dificuldades para conseguir sobreviver na metrópole que era nova York, quando se viram abandonados pelo antigo dono. Trataram de Beethoven até que ele pudesse seguir seu próprio caminho.



O sumiço de Samiz deixara Beethoven angustiado por alguns minutos, mas a tranqüilidade de H. A. Datson criou-lhe uma redoma de conforto onde sabia que poderia encontrar um pequeno paraíso de alegria. E foi mesmo o que ocorreu: quando chegou à casa do menino encontrou outros cachorros, Dálmatas, Akitas Shar Peis, entre outros. Todos com pedigree, mas, nem por isso o estranharam, ao contrário, festejaram sua presença. Dat explicou para o novo amigo que gostava de cães e que seus pais sempre compravam filhotes das mais variadas raças para ele. Apesar de gostar, H. A. ansiava também por um vira-lata de rua também. E agora, o próximo passeio seria com o time completo!



Beethoven estava não apenas intimamente feliz como teve certeza de que naquele entardecer houve alguma simbiose entre Samiz e Dat. E que isso, de alguma forma foi provocado por sua busca incessante por um lugar para viver. E o ensinamento de seu pai sempre vinha à mente:



- O importante não é ser forte, mas, sim, flexível!




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Feliz Natal e ótimo ano novo, Henry!

Do amigo Léo Borges.

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