sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O CONTADOR DE HISTÓRIAS

Quando criança, Maria Lení adorava ouvir o avô contar histórias. No verão, ela e os primos se sentavam embaixo dos cinamomos, comendo melancia e escutando, maravilhados, ele desfiar suas infindáveis e divertidas narrativas. Ali, sentindo o calor do sol na pele e a brisa suave vinda do rio próximo, ela fechava os olhos e mergulhava num mundo mágico, de formigas que cantavam e dançavam junto com a cigarra em vez de repreenderem-na.

Para a menina, o avô era o maior contador de histórias de todo o mundo. Podia ser uma pessoa comum, um agricultor, mas ela achava que ele teria se dado bem como escritor. Sabia como encadear as palavras. Sabia juntá-las e dar um novo significado. Sabia criar encanto, riso, emoção, magia. Sabia como contar uma história.


Os anos passaram. Maria Lení não tinha mais o avô , mas continuava gostando de uma boa história. Começou a ler muitos livros, depois sites e blogs. Foi descobrindo novos autores, novos ´contadores´. E, um dia, fez uma descoberta: um escritor iniciante com o mesmo nome do avô.

Tinham muitas diferenças, é claro. Enquanto o avô era capricorniano, ele era aquariano. O avô não tinha muito estudo, enquanto ele era acadêmico de Letras. O avô era gaúcho, ele era paulista, mas ambos eram do interior. O avô gostava de histórias clássicas ou de humor, e ele, de literatura gótica. O avô sempre parecera velho para a menina, ele era um jovem de apenas 23 anos.

Curiosa, procurou ler mais sobre esse escritor, e também o que ele escrevia. Descobriu que gostava de Chaplin e de filosofia, de Nietzsche e de heavy metal, do Zorro e de línguas, de leitura e de cinema. Escrevia poesia. Belas palavras, para fazer pensar. Era eclético: escrevia sobre gárgulas e sobre reencontros, terror e amor, destino e coincidência. Ele experimentava. Buscava se aperfeiçoar. Era uma águia, em busca de vôos cada vez mais altos.

Um dia, ele se tornaria um grande escritor. Então, olhando para o autógrafo que com certeza pediria, ela recordaria daquelas histórias que tanto a encantavam na infância. E se perguntaria, mais uma vez, o que tinha naquele nome que dava a quem o possuía o dom de contar belas histórias: Guilherme...

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Amigo Guilherme, feliz Natal um pouco atrasado, e um ótimo 2009! Sucesso, e muitas boas histórias!

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