quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Idade

Eu estava me sentindo muito velho naquele dia. Estava andando desde umas sete horas da manhã, quando vi uma cena curiosa:
Havia um homem sentado na beira da estrada. Do lado dele, uma vitrola sem disco, mas que mesmo assim emitia um som melodioso. Na mão do homem, um bloco de papel. Ele escrevia numa velocidade incrível, mas não parecia se cansar. Cada folha que ele terminava, ele lançava ao vento. Foi então que eu vi que o som que saía da vitrola era visível: Notas agrupadas flutuavam do aparelho musical, e cada folha que voava encontrava algumas dessas notas e fundia-se a elas.
Curioso, apoiei-me em minha bengala, e perguntei para aquele jovem como ele fazia aquilo.
“É questão de querer”, ele me disse.
“A música sai de dentro, ela vem do coração. Você só precisa pensar nas coisas boas da vida. Em livros, em música, em filmes. Pensar na sua namorada, em seus filhos, mesmo que esses ainda não existam no plano físico. Você precisa apenas exercitar a sua mente, até que ela se estique até seu coração, e a música sai. Se você conseguir colocar seus problemas de lado por um tempinho, você vai ver como as coisas fluirão facilmente. Tente”.
Ouvir aquelas palavras sábias de alguém, que naquele momento deveria ter a metade da minha idade, foi realmente inspirador. Ele me cedeu o bloco, e eu fechei os olhos e tentei pensar em tudo o que ele falou. Demorou um tempinho, mas logo tinham palavras minhas flutuando no vento, ao lado das dele e de outros como ele.
Eu o agradeci, e levantei-me restaurado. Vi que o Sol brilhava, e que não precisava mais da bengala.
Lembrei que tinha apenas 19, e mais preocupações do que deveria. E tenho a agradecer a ele, e às palavras dele.


Feliz Natal Carlinhos, tudo de bom para você, sua namorada e sua família.
Abração

Um comentário:

  1. Ô, Pedrão, muito obrigado, meu velho!

    Gostei o conto. Achei muito simbólico, poético... Valeu pelo presente!

    E um feliz natal pra ti também!

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